sábado, 22 de fevereiro de 2014

A despedida de uma viagem inesquecível!

Depois de uma noite tranquila e bem passada em Puerto Ayora, temos de regressar a Guayaquil. Sem areia e com a nossa memória recheada de histórias, aventuras, momentos inesquecíveis, com mais amigos no mundo e com o coração partido, despedimo-nos das Galápagos.
Não sabíamos que o último autocarro para o canal que temos de atravessar de barco saía de Puerto Ayora às 8h30 e só chegamos ao terminal as 8h40, o que fez com que tivéssemos de ir de táxi…… Um roubo! Mas teve de ser… Lá atravessámos o canal Tabaca que separa a ilha de Santa Cruz da ilha de Baltra, onde está o aeroporto. Entrámos no avião 2h depois com 3 pedras nos bolsos como souvenir! Duas conseguimos apanhá-las do chão a caminho do aeroporto e a terceira já mesmo a caminho do avião. Já ficamos mais contentes!
Dissemos um adeus já saudoso das Galápagos para chegar ao calor infernal do continente! Guayaquil tem temperaturas altíssimas e uma humidade incrível! O vento é quente e o ar pesado! Mas vamos ter muitas saudades disto!
Fizemos o nosso itinerário de maneira a ver o que não tivemos tempo da úlitma vez (lembro que já aqui estivemos antes de ir para as Galápagos): andar no barco dos piratas (Morgan) e ir ao Cerro Santana (um morro cheio de casas com cores garridas e fortes à beira rio, onde nos disseram que se dançava salsa).
Assim foi, caminhamos até ao Malecón (uma faixa tipo passadiço em cima do rio onde os locais passeiam com segurança), almoçámos às 4h da tarde e fomos em direção ao barco dos piratas. Chegámos lá 40 minutos mais cedo e optámos por ir conhecer o shopping mesmo ao lado. Um shopping relativamente grande, cheio de lojas de roupa, calçado, eletrónica, cafés com karaoke, souvenirs, farmácias, venda de cópias baratas de grandes marcas de óculos de sol, etc.
Fizemos alguns vídeos mas aqui a net é tão lenta que não dá para colocar aqui.
Voltámos para o Morgan e fizemos o cruzeiro de 1h, que ficou muito aquém do que fizemos no Valkyria. Claro que as coisas são incomparáveis, mas aqui tínhamos crianças mal educadas aos gritos, a chorar, música pimba e tecno do mais parola possível nas alturas, um rio horroroso de tão sujo e lamacento, uma paisagem pouco inspiradora, um céu prestes a descarregar toneladas de água em cima das nossas cabeças (o que acabou por não acontecer, obrigada São Pedro!) e uns falsos piratas a tentar vender fotografias do barco. Esqueçam! Quem disse que o Morgan vale a pena, não anda no mesmo espírito que nós.
Saímos e fomos jantar (comemos muito bem, eu um Llomito grelhado com teryaki e o Di uma pasta com camarão) e chamámos um táxi para ir para o Cerro Santana. Quando parou o primeiro e dissemos para onde queríamos ir, o taxista disse-nos logo que nem pensar, que não ia para lá, porque "es muy peligroso!" O quê?! Então, disseram-nos no hostel que era seguríssimo… Pedimos a outro táxi que nos disse o mesmo! Desistimos logo! No way José! Chegamos ao hostel e contámos a história e disseram-nos que era como uma favela do Rio do Janeiro! LOLOL!!! Seguríssimo então! Ficámos pelo hostel, onde encontrámos, curiosamente, o Paul, o inglês que faz free diving sem equipamento, que estava connosco no Valkyria! Que coincidência! Vamos dormir agora para estarmos fresquinhos para a grande viagem de regresso a Portugal (com 3 escalas!).

Beijinhos,
Fi!


Aqui vão as últimas fotos desta nossa viagem que ficará para sempre no nosso coração!

Ainda nas Galápagos:

Gallito con la Filipina de Portugal :)

O Valkyria!

Ilha Isabella

Ilha Isabella

Ilha Isabella

Ilha Isabella

Nós e o Richard, o marinheiro salseiro!


Já em Guayaquil!












Cerro Santana



Nós e o Paul (foto do nosso iphone)!
Nós e o Paul (foto da máquina xpto dele)!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lição n.9: Conclusão das aulas práticas de Biologia Marinha e Terrestre

As galapagos são encantadas e a prova disso é a possibilidade de nadar com pinguins.... Sim pinguins! Que outro sítio nos permite fazer isto? Os pinguins são animais habituados a climas polares e águas geladas. Hoje nadamos com alguns numa água fria de 20 graus (comparada com as restantes ilhas) na ilha Isabela. Esta ilha recebe correntes um pouco mais frias de sul, o que permite a esta espécie endémica sobreviver a este calor infernal do equador.
Esta noite navegamos de Santa Cruz para Isabela. Leva cerca de 9 horas a percorrer uma distancia curta porque o catamarã navega a cerca de 10kms/h. A tripulação do navio além de extremamente prestável e simpática, é incansável. Não é nada facil estar acordado atrás de um leme toda a noite a navegar a esta velocidade! Se queremos fazer alguma coisa diferente do grupo eles estão sempre disponíveis para garantir a nossa satisfação. Incríveis! Hoje acordamos com um nascer do sol magnífico num mar calmo avistando a Isabela no horizonte. Acordamos com o sino do barco que nos chama para as refeições. Foi uma noite tranquila de navegação e vamos com certeza ter saudades do balançar do barco para nos embalar. Em terra a sensação constante é do chão se estar a mexer e isto vai-se manter durante alguns dias. Decidimos não ir com o resto dos nossos companheiros do barco ver o vulcão (inactivo) porque ainda era uma caminhada pesada e já tinhamos passado pela Costa Rica com algum insucesso pelo que pedimos ao Richard, o marinheiro, para nos levar a terra no pequeno semi-rigido do Valkyria. Fomos fazer snorkeling com os pinguins e ainda vimos uma tartaruga marinha e uma raia enormes. Depois decidimos visitar a vila. As Galapagos são ilhas praticamente desertas onde existem pequeníssimas povoações, habitualmente uma por cada ilha, estando o restante território em estado selvagem e isso é o ponto forte deste arquipélago. Ao aproximarmo-nos das ilhas não vemos mais do que vulcoes, rochas e animais por todo o lado. Também não vemos lixo rigorosamente em lado nenhum e nas pequenas vilas vemos sempre ecopontos para separarmos o lixo.
No passado, estas ilhas sofreram varias tentativas de colonização e estranhamente todas as pessoas que tentaram a sua sorte para extrair os vastos recursos naturais destas ilhas acabaram todas por empobrecer e por morrer, muitas vezes de forma misteriosa. Passaram por cá homens de negocios de sucesso ecuatorianos do continente, noruegueses e até alemães, mas estas ilhas só lhes trouxeram azar e mortes prematuras (por vezes assassinados). Talvez estas ilhas estejam amaldiçoadas mas isso tem permitido preservar a sua biodiversidade e riqueza. É indiscritível a quantidade de peixe, leoes marinhos, iguanas marinhas, aves marinhas, que existem neste arquipélago e é sem dúvida a eles que este lhes pertence. A pressão turistica tem crescido nos ultimos anos mas mesmo assim ainda nao chegou aos 200 000 turistas anuais, o que é incrivelmente pouco. A maioria está em cruzeiros pelo que o impacto é ainda menor. É um tipo de turismo atípico e ao percorrermos as ilhas percebemos isso porque há muito poucos turistas. O governo equatoriano é muito rígido na preservação deste arquipélago porque já percebeu que o turismo é a maior fonte de riqueza directa (110$ por pessoa para entrar) e indirecta sob a forma dos bens transaccionáveis e serviços. Há imensas restrições de navegação a praias e outros locais para controlar a presença do homem sendo necessárias permissões para tudo. Nas viagens todas entre as ilhas e também nas partidas e chegadas internacionais todos os sacos são revistados e selados de forma a garantir que não são trazidas doenças, plantas ou outros animais que podem danificar irremediavelmente o ambiente. Como tal desta vez não vamos poder trazer areia para a nossa colecção. As pessoas apanhadas com alguma coisa das ilhas têm uma multa de 100$ e podem ser presas. Há relatos de tentativas de tráfico de iguanas marinhas que valem fortunas no mercado negro.
Agora estamos numa lancha rápida a caminho de Santa Cruz novamente onde vamos pernoitar e comer um peixinho grelhado na brasa :) avistamos ainda há pouco uma baleia e está um por do sol lindo. Já nos despedimos com muita tristeza do "nosso" Valkyria e dos tripulantes. Custa muito dizer adeus a uma experiência tão preciosa e que iremos sempre relembrar com imensa saudade e carinho.
Amanhã de manhã voamos para o continente (Guayaquil) e damos mais noticias.
Beijinhos e abraços







quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Lição nº 8: Estudos Navais Aplicados

Segunda-feira (1º dia de navegação)

Na segunda fomos à ilha Isabella numa excursão. Metemo-nos exatamente no tipo de tour que detestamos. A ilha é bonita, tem praias maravilhosas, vimos um pinguim, montes de leões marinhos, iguanas marinhas e pássaros de todos os tipos, mas tínhamos sempre de esperar por toda a gente, cumprir horários e nunca tínhamos liberdade de ir para outros lados ou ficar mais tempo onde mais gostávamos. No final, o Diogo já dizia que a próxima coisa a fazer em Portugal é tirar a carta de barco, para podermos chegar a um sítio, alugar um barco e andar à nossa vontade.
Mas começando pelo início, acordamos e tivemos o prazer de um pequeno almoço de reis! Torradas com manteiga e compota, chá, sumo e leitinho (o que mais sinto falta de casa) e ovos mexidos. Maravilha!!!
Saímos do hotel (se é que se pode chamar de hotel) e fomos apanhar o “speed boat” para irmos visitar a ilha Isabella. A viagem demorou 2h... Claro que depois da última experiência, eu tomei um comprimido para o enjoo. Não custou nada, mas estes fulanos adoram ir contra as ondas para terem aquela sensação de vazio no estômago, como nas montanhas-russas, que eu detesto. Mas tenho de confessar que depois dos primeiros vinte, deixou de custar, já não sentia nada. Até fiquei com sono e até passei pelas brasas. Se não fosse pelos solavancos tinha adormecido na certa!
Quando avistamos Isabella, chegamos a uma praia de areia branca, mar azul turquesa, casinhas pequenas (tipo barracos), montes de leões marinhos, iguanas marinhas e pelicanos. Vimos logo na água uma raia enorme e duas tartarugas. O que distingue as iguanas marinhas das iguanas terrestres é a cor. As marinhas são pretas (e parecem autênticos dinossauros), as terrestres têm várias cores (verdes, amarelas, vermelhas, laranjas, gradação de várias cores...).
Saímos do barco e fomos visitar uma reserva de tartarugas, onde podemos perceber o trabalho que os locais têm com estes animais desde que nascem até morrerem (e as tartarugas vivem até 300 anos). Esta reserva é patrocinada por equipas alemãs, o governo Equatorial não tem despesa nenhuma com isto. As tartarugas quando nascem têm de passar por uma série de processos para não ganharem febre ou outras doenças e andam de caixas negras em caixas negras (tipo ninhos) para não serem comidas por outros animais (nomeadamente formigas gigantes, cães, pássaros, cabras...). Eles chegam a matar os cães selvagens (não os caseiros), ou seja, os que não têm donos, para proteger as tartarugas... daqui a uns anos vão ter reservas de cães, porque parece-me que vão ser os cães a entrar em vias de extinção por estes lados. Depois com o passar dos anos vão sendo transferidas de campos cercados em campos cercados, onde convivem com tartarugas da mesma faixa etária, onde podem acasalar. As idades certas das tartarugas para acasalar vão desde os 20 anos de idade até aos 200... xxxiiiii!!!!! Tanto ano! No entanto passam os últimos 100 anos sem “entretenimento”... Vida difícil!
Saímos da reserva e fomos até um miradouro, onde se pode avistar a baía e as ilhas circundantes, assim como os vulcões da ilha Isabella. A seguir fomos até à “Playa del Amor”, uma praia que antes de haver tantos turistas era usada por casais locais para.... bem, vocês sabem! Agora é usada pelas iguanas para chocar os ovos e refrescarem-se nas pocinhas. A areia desta praia é muito diferente, porque não é areia, mas sim restos de coral. Trouxemos um saquinho como recordação, mas não acreditamos que passe no aeroporto... veremos!
Voltamos para a praia para fazer snorkelling, mas eu ainda estou um pouco assustada por haver tubarões na área, apesar de me dizerem sempre que estes tubarões são completamente inofensivos e que em dezenas ou até centenas de anos, nunca houve um ataque nem a pessoas que fazem mergulho, nem aos que fazem snorkelling. Aparentemente, só os surfistas é que sofrem os ataques destes tubarões, devido ao facto das pranchas se assemelharem às focas e acabam por ser apanhados quando estes trincam as pranchas. Os pescadores e capitães dos barcos têm muita experiência e dizem-nos quais são os perigosos e quais são tranquilos, mas eu não consigo simplesmente! Até chego a ficar curiosa, mas no momento de me atirar a água, o meu corpo não responde e fico parada, estática.
Mas o Di lá foi e eu no início também me meti dentro de água, onde não era fundo o suficiente para chegar um tubarão, mas quando vi que começava a ficar mais fundo, assustei-me e saí. Ele lá continuou, um pouco aborrecido por ter de ir sozinho, e andou a explorar. Diz que não viu nada de jeito.
Voltámos para o barco e enfrentámos mais 2h de viagem até Santa Cruz. Choveu pelo caminho e apanhamos frio.
Quando chegamos, trocamos de roupa e fomos para cruzeiro. As pessoas são simpáticas e todos são da nossa faixa etária, com a exceção da Martina, uma canadiana de meia-idade, que diz ter um espírito jovem, que tem namorado mas que foi jantar com o ex... Bem, talvez tenha um espírito demasiado jovem!
Mais uma vez, deparámo-nos com pessoas que estão a viajar por 6 meses e até 2 anos. Metem-me nojo!!!! Temos cá um casal inglês que está casado há um ano e meio (o Tom e a Catherine), um par de namorados australianos que estão juntos há 6 anos (Rebecca e Jonathan), uma alemã que está a viajar sozinha há uns meses (Catarine), uma miúda inglesa que está a viajar há 6 meses (Sophie) e um rapaz inglês que está a viajar há 8 meses (Paul), que nós pensávamos que estavam juntos, mas que rapidamente descobrimos que não, sendo isso motivo de piadas durante o cruzeiro inteiro. Sempre que chega alguém novo, o Paul pergunta logo se são um casal, para não haver dúvidas! Lol! Enjoei mal entrei a bordo e nem jantei, mas ao tomar outro enjomin (o segundo deste dia), passou.

Terça-feira (2º dia de navegação)

Eu dormi um bocadinho mal, acordei muitas vezes durante a noite, por causa dos movimentos do barco e mal acordei tomei logo um comprimido para os enjoos, porque vi logo que ia correr mal. Estou um pouco adoentada por causa do frio que apanhei ontem na lancha a caminho da Isabella, mas ando a benuron. Tomamos um pequeno almoço maravilha, com tudo a que temos direito. Não estávamos à espera de comida tão boa a bordo! O catamarã é espetacular! Os quartos são bonitos e bem-arranjados, espaçosos qb e com casa de banho privada. Só lhe falta o wi-fi para podermos comunicar convosco. A tripulação a bordo é muito porreira e acessível. São brincalhões e metem-se connosco.
A seguir ao pequeno-almoço, saímos de lancha para as ilhas Daphne Maior e Daphne Menor, para fazer snorkelling com tubarões e leões marinhos e para ver os “Blue Footed Boobies”, uns pássaros giríssimos de patas azuis e vimos também inúmeros outros tipos de pássaros. Eu não fiz snorkelling, não consigo entrar na água sabendo que por baixo de mim estão tubarões... lamento! Mas o Diogo foi e adorou! Nadou com leões marinhos e está encantado com a perícia do Paul (o rapaz inglês, com 31 anos) que faz “free diving”, ou seja, mergulho sem garrafa de oxigénio e que consegue descer até 50 metros de profundidade, aguentando a respiração durante pouco mais de 4 minutos. Diz que quer aprender! Excusado será dizer que o Paul vem cheio de equipamentos e com uma GoPro xpto, faz filmes maravilhosos e não tem medo de nada! Aproxima-se dos peixes, dos leões marinhos e dos tubarões como se fossem bonecos de borracha, filma e tira fotos fantásticas! Está a viajar há 8 meses, não trabalha neste momento (não sei como pagam estas viagens, mas enfim!) e diz que quer ser instrutor de “free diving”, não em Inglaterra, disse ele a queixar-se das águas britânicas, lamacentas, escuras e frias. Ficamos com os contactos de toda a gente para depois mantermos contacto pelo facebook!
De tarde fomos até uma praia deserta para ver ovos de iguanas, mas acabamos por ser atacados por moscas enormes que nos mordem a pele! Eu fui logo para o barco para fugir delas. No barco, um dos pescadores, meteu conversa comigo e disse que era cozinheiro, que adorava comer (via-se pela pança enorme que lhe saltava para fora dos calções de banho) e que adorava o mar e os animais. Começou a imitar os sons dos animais da região e eu quase fiz xixi nas cuecas de tanto me conter para não rir na cara do senhor... Ele achava que imitava bem, de certeza, mas foi tão cómico vê-lo muito concentrado, de olhos fechados (como quem canta o fado), de cabeça erguida e a imitar os sons do leões marinhos, dos pássaros, das iguanas (que quase não fazem som absolutamente nenhum) e dos pinguins! Bem, só visto! Disse que quando eu quisesse me levava a praias interditas a estrangeiros... Disse-lhe logo que não tinha tempo, porque eu e o meu MARIDO tínhamos que ir para o Valkyria. “AH! Tienes marido...”, disse ele. Fino! Já queria uma estrangeira loira e de olhos verdes para ele. Lol!
Voltamos para o “Valkyria” no final do dia, jantamos e começamos a viagem para San Cristóbal. À noite costumamos jogar cartas, ao Shithead (cabeça de merda), ao Uno, ou Horse Race (corridas de cavalo). Todos estes jogos são de cartas e o Horse Race e o Shitehead são os mais divertidos! Depois ensinamos! Eu já fui Shithead 3x!

Quarta-feira (3º dia de navegação)

A viagem até San Cristóbal foi terrível! O mar estava muito agressivo e picado, o que fazia com que o barco balouçasse por todo o lado. Passei bastante mal e nem o enjomin me salvou. Felizmente lembrei-me de ir dormir e consegui manter o conteúdo do meu estômago cá dentro, apesar de por muitas vezes ter achado que não ia conseguir segurar. Não custou muito a adormecer (estava super cansada) e passou.
Quando acordamos já o barco estava atracado no porto de San Cristóbal, uma vila piscatória muito bonita e grande por sinal. Ouvimos a campainha tocar (sinal que a comida está na mesa ou que a lancha que nos leva aos sítios vai partir), saltamos da cama e fomos tomar o pequeno-almoço. A cada refeição feita mais nos surpreendem! Já comemos torradas, panquecas, fruta, ovos, sumos de variados sabores, chás, cafés, leite, iogurtes maravilhosos de tão cremosos e saborosos que são... uma maravilha!
Partimos para ir conhecer praias desertas, fazer snorkelling (desta vez sem tubarões!), descansar na praia, comer a bordo da lancha e tirar fotos magníficas. Voltamos a ver os “Blue Footed Boobies”, desta vez em maior quantidade, e mais uma catrafuada de outros pássaros. Vimos mais leões marinhos e iguanas. Quando chegou a altura de fazer snorkelling, eu perguntei se havia tubarões ali e o Roberto (o nosso guia super simpático) disse que não, que era impossível porque a água ali era muito baixa e eles não vinham para ali com medo de não conseguirem sair depois. Eu sou a única a ter medo dos tubarões de toda a gente com quem já nos cruzámos em todas as viagens que fazemos. Toda a gente me diz que não fazem mal, mas o medo é irracional e eu sei que eles não me vão morder, que são pacíficos, etc, mas tenho medo de me assustar, de entrar em pânico, começar a engolir água e afogar-me. Não gosto de descargas de adrenalina e tenho medo de vertigens, o que debaixo de água acontece algumas vezes, porque não se vê o fundo. Mas desta vez o Roberto prometeu pela vida dele que eu não ia ver tubarões ali e aqui vou eu!! Lancei-me à água e comecei a fazer snorkelling em águas cristalinas azul turquesa. Parecia uma piscina. Não vi peixes quase nenhuns, só uns puffer fish (peixe balão) e uns quase microscópios, mas qual não foi o meu espanto quando de repente aparecem leões marinhos para brincar connosco! Foi espetacular!!! Brincavam com o ar que lhes saía dos pulmões, ficando muito sérios a ver as bolhas a subir e aproximavam-se de nós e rodopiavam à nossa volta, tocavam com o bico na areia, pegavam em pedras debaixo de água, atiravam-nas ao ar e voltavam na nossa direção a desafiarem-nos a fazer o mesmo. Quando começamos a imitá-los, eles imitavam-nos a nós e parecíamos crianças a rodopiar e a brincar debaixo de água. Depois o Roberto levou-nos às pocinhas, o sítio onde estão as crias a brincar e mostrou-me como se fazia para as chamar. Pus a máscara de mergulho como o Roberto fez, sem o tubo de respiração na boca e pus a cabeça debaixo de água e soltei o ar, fazendo bolhinhas na água. Eles aproximavam-se curiosos e vinham cheirar o nosso nariz!!! Foi lindo!! Uma experiência inesquecível... para mal dos nossos pecados, esquecemo-nos do cartão da máquina fotográfica (a Rollei, que tira fotos debaixo de água) no Valkyria e não pudemos tirar fotos desta cena maravilhosa! Ficamos muito tristes... Mas ficou na nossa memória para sempre! Crias de leões marinhos a virem cheirar-nos o nariz debaixo de água e fora de água. Fazem um som tipo cabritinhos quando chamam por nós... é delicioso!!!
A seguir voltamos para a lancha para almoçar a bordo e a seguir fomos a mais uma praia deserta, cheia de pequenos caranguejos cor de laranja, que fogem a sete pés sempre que nós nos aproximamos deles. O problema destas praias desertas são as moscas que nos picam todos e só se está bem dentro de água. O casal inglês que estão casados há um ano e meio, adormeceram e foram todos picados nas pernas... uma coisa a melhorar nas Galápagos: acabem com as moscas sugadoras de sangue humano! Lol!
Voltamos ao Valkyria e foram todos visitar a vila de San Cristóbal e eu preferi ficar no barco, porque está muito calor aqui e só me apetece ficar à sombra e a comer um dos iogurtes maravilhosos deles. Hoje de manhã quando fomos ver os “Blue Footed Boobies” apanhei um escaldão num espaço de 20 minutos e sim, pus protector factor 50!! Não se esqueçam que estamos no equador, no início do hemisfério sul, entre a linha 0 e a -1! Mais perto do sol era impossível!
Enquanto eles foram visitar San Cristóbal, o capitão e eu pusemo-nos na treta e ele disse-me que era professor de danças. Eu disse-lhe que adorava salsa e ele tratou logo de chamar um dos membros da tripulação para dançar cumbia (nunca tinha ouvido falar!) e salsa comigo. Cumbia é uma mistura de merengue e salsa.
Acho que o cozinheiro (de nome Gallo Pinto, uma comida típica do Ecuador - arroz com feijão - de diminutivo Gallito e que nem um metro e meio de altura tem) se apaixonou por mim e pela Rebecca (a australiana), porque ele não nos larga. Temos as duas olhos claros (ela azuis e eu verdes) e ele deve gostar... E como eu fiquei sozinha com eles no barco, ele levou-me numa excursão pelo porto de San Cristóbal num barquito de borracha com motor. Mostrou-me as casitas, os barcos, contou-me histórias de há vinte anos atrás, mostrou-me os lobos marinhos e depois já no Valkyria de novo, só queria dançar comigo e dar-me de comer. Deu-me uma taça do iogurte maravilhoso deles (umas vezes são de morango, outras de pêssego) e uma banana, mostrou-me como fazia o arroz e a “chicken” (como ele diz) para o nosso jantar. Quis dar-me um abraço e aproveitou logo para me dar um chocho no pescoço. Lol! E disse que na boca era para o meu marido! Cheio de boas intenções o senhor Gallito, mas é muito esquecido, coitado, porque perguntou-me 3 vezes de onde eu era e passados uns minutos de eu dizer “Portugal”, ele dizia que gostava muito de ir visitar a República Checa ou a França ou outro país qualquer... Lol!!! E sempre que passa por mim pergunta-me “Como te llamas?” e eu respondo “Filipa” e ele diz sempre o mesmo “Filipina!” e ri-se! Coitadito... é velhinho já! Mas muito querido. Sempre que passa por nós as duas canta “Mi amor, escuta-me una vez más! Mi corazón es tuyo!” Lol!!!
A Rebecca, o Jonathan e o Paul vão embora hoje e acho que o barco vai ficar mais triste e parado, porque eles eram os mais animados de todos. Entretanto, a Sophie também foi embora ontem e entraram mais 4 pessoas: 2 suíças (Debby e Corinne), uma inglesa e um alemão. O alemão chegou de saia e parecia que ouvia a voz do meu Pai na minha cabeça a dizer “que figura!”. A inglesa chama-se Canina... sim, sim, Canina! Não é Carina, é mesmo Canina, a coitada! Nem comento... A Debby e Corinne são caladinhas, apesar da Corinne (que é cabeleireira) andar a fazer-se ao piso do Paul, que vai embora hoje. Vamos ver como vai ficar a animação do barco depois da partida deles.

Quinta-feira (4º dia de navegação)

Ontem à noite decidimos beber Cuba Libres e jogar às cartas. Foi super divertido e só nos deitamos quase à meia-noite, o que é uma loucura aqui, porque na maioria das vezes às 9h já estamos na cama, de tão cansados que estamos.
Hoje acordámos e já estávamos atracados de novo em Puerto Ayora, na ilha de Santa Cruz. No nosso itinerário está a ilha Santa Fé, um pouco afastada de Santa Cruz, para o lado direito.
Fomos num “speed boat” até lá, os pescadores pescaram um Oahu (não sei a tradução!) e estivemos a fazer snorkeling com leões marinhos, mas ontem foi significativamente melhor, porque os leões marinhos interagiam mais connosco. Chegavam mais perto e estavam mais curiosos em perceber quem éramos nós e o que fazíamos ali. Nunca mais me hei-de esquecer do bebé a tocar-me no nariz!! Foi maravilhoso! Os de hoje só nadavam ali perto, olhavam mas não se chegavam perto. Almoçamos a bordo (o peixe que pescámos) e depois fomos à Playa Escondida, uma praia na costa este da ilha Santa Cruz, que parece uma piscina rodeada de rochas negras que formam uma baía protegida da ondulação exterior do recife e de animais “indesejados” (no meu caso!). Andámos a nadar e a fazer snorkeling, vimos uma “eagle-ray”, duas “sting-ray” e uma serpente marinha. Nada de extraordinário, comparado com o dia anterior. Saímos, nadamos até ao barco e viemos embora para Puerto Ayora, até ao “nosso” tão desejado Valkyria!